Conectando o futuro: a importância da faixa 6GHz para a inclusão digital no Brasil

Em fevereiro de 2021, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tomou uma decisão pioneira ao designar a faixa de 6 GHz exclusivamente para o uso não licenciado de equipamentos Wi-Fi, abrindo caminho para a evolução das redes Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 no Brasil.

No entanto, a recente decisão do Brasil durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-2) em pleitear a possibilidade de divisão da faixa entre a rede 5G e uso não licenciado trouxe à tona uma possibilidade de revisão do regulamento pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Entendendo a relevância desse debate para a conectividade significativa no país e para as Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs), a Associação NEO preparou este artigo para oferecer a você, nosso associado, um panorama e interpretação sobre o assunto. Confira!

Faixa 6GHz tem papel definidor na democratização da conectividade brasileira

A conectividade é um pilar fundamental para a sociedade contemporânea e, no cenário brasileiro, a alocação da faixa de 6 GHz para o uso não licenciado de equipamentos Wi-Fi assume uma importância estratégica, impactando diretamente a experiência do consumidor, a competição entre a banda larga fixa e a banda larga móvel, a inovação tecnológica e o estímulo à indústria nacional de equipamentos.

As redes Wi-Fi, especialmente as avançadas Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7, são complementos indispensáveis para a banda larga fixa, pois ampliam o seu uso e possibilitam o tráfego com mobilidade limitada, de forma que os usuários não precisam manter seus dispositivos conectados por cabos para acessarem à internet. Assim, o consumidor pode economizar os seus dados de rede móvel, resultando em mais opções e maior igualdade de condições com qualidade e redução de custos.

Do ponto de vista de negócios, a alocação integral da faixa de 6 GHz para a evolução das redes Wi-Fi torna a competição entre banda larga e banda fixa mais simétrica, um aspecto de extrema relevância em um mercado brasileiro em que mais de 20 mil prestadoras de banda larga fixa operam, com 52% dos acessos garantidos pelas Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs).

Além de quantidade, as PPPs garantem a qualidade de serviço. Segundo relatório da Teleco referente ao último trimestre de 2023, as maiores velocidades da oferta de banda larga fixa no Brasil se concentram nas operadoras regionais e independentes — ocupando as nove primeiras colocações do ranking.

Os dados da consultoria apontam também que a plena competitividade de mercado vem impulsionando a corrida pela oferta de mais velocidade, e que o upgrade dos dispositivos dos usuários — como WiFi 6 e WiFi 7 — é necessário para a habilitação de acessos com mais de 1Gbps.

Com a atribuição total da faixa 6GHz, o Wi-Fi 6 passa a proporcionar roteadores mais eficientes, sinal mais rápido e estável para consumidores domésticos e empresariais, em especial em um cenário em que a política de reindustrialização do país vai requerer mais opções de automaçãoAlém disso, abre as portas para a expansão de recursos de realidade virtual e aumentada em dispositivos como smartphones e computadores.

A evolução tecnológica no Brasil também poderá ser fortalecida pelo Wi-Fi 7, um padrão ainda mais recente que habilita conexões em redes sem fio de forma mais rápida e estável, impactando o pleno acesso da população à informação e serviços de saúde, bem como a eficiência dentro das empresas.

Portanto, a continuidade do direcionamento da faixa e o uso da tecnologia possibilitará que as operadoras regionais continuem oferecendo serviços de tráfego de dados com qualidade, inclusive semelhante à rede 5G.

Não por acaso, a Federal Communications Commission (FCC) abriu essa mesma faixa de espectro nos Estados Unidos, em 2020. A decisão reforça a importância da total liberação do 6GHz para endereçar a crescente demanda pelo consumo de dados via Wi-Fi, consolidar a conectividade significativa da população e gerar novas oportunidades de inovação.

Outro motivo fundamental para manter toda a faixa de 6 GHz para as redes Wi-Fi é o incentivo à indústria nacional de equipamentos. Enquanto a indústria de equipamentos para a telefonia móvel é majoritariamente composta por tecnologia estrangeira, os equipamentos para as redes Wi-Fi têm uma parcela significativa produzida no Brasil.

O fomento a essa indústria pode desencadear um efeito multiplicador em toda a cadeia de suprimentos de telecomunicações, fortalecendo a economia local e promovendo a autonomia tecnológica do país.

Associação NEO defende a permanência do direcionamento integral da faixa 6GHz ao uso não licenciado

Associação NEO, junto a outras entidades representativas, segue defendendo a decisão tomada pela Anatel em 2021 de alocar totalmente a faixa de 6 GHz para o Wi-Fi. Essa posição foi reforçada durante a audiência pública na Câmara dos Deputados, ocasião em que o Consultor da Associação NEO, Aníbal Diniz, apresentou argumentos favoráveis, ressaltando que a destinação não licenciada beneficia as Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs) e promove a competitividade.

Diniz afirmou durante a audiência que a grande evolução no setor de telecomunicações nos últimos dez anos foi a democratização da expansão da banda larga fixa por meio de prestadores regionais e de pequeno porte, mudando radicalmente o nível de acessibilidade à Internet no Brasil. O Wi-Fi, que dialoga diretamente com a banda larga fixa, possibilitou essa experiência.

presidente da entidade, Rodrigo Schuch, afirma que manter a faixa de 6 GHz exclusivamente para o Wi-Fi pode ter um efeito multiplicador significativo nas diferentes instâncias das telecomunicações, desde a produção nacional de equipamentos até o consumo igualitário da população. A expansão da internet, por meio das redes Wi-Fi, promove a inclusão digital e ampliam o acesso à conectividade, essencial para uso de serviços considerados básicos, como educação on-line, teleconsultas e transações financeiras. 

Associação NEO permanecerá atenta aos desdobramentos da possibilidade de revisão de tal regulação, na busca não apenas por sustentar uma decisão técnica e estratégica, mas também garantir que a conectividade no Brasil continue a evoluir em direção à excelência, atendendo às demandas de uma sociedade cada vez mais conectada, não importa em que região do país.

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