Imagem1

Evento NEO 2025 – Dia 3: Postes, descentralização de data centers e políticas públicas

Terceiro dia do Evento NEO 2025 destaca desafios da infraestrutura, regulação de postes e futuro dos data centers no Brasil

O último dia do Evento NEO 2025, realizado em Salvador, Bahia, consolidou os debates sobre o papel estratégico das PPPs e do setor de telecomunicações na modernização da infraestrutura digital brasileira.

Com pautas que abordaram desde o regulamento de postes até os novos rumos dos data centers e da inteligência artificial, o evento reforçou a necessidade de cooperação entre governos, entidades reguladoras e empresas privadas para construir um ecossistema de conectividade sustentável, competitivo e inclusivo.

Regulamento de postes: o que esperar?

Moderado por Katia Pedroso, diretora na TELCOnsultoria, o painel trouxe uma discussão profunda sobre um dos temas mais sensíveis da infraestrutura de telecomunicações no Brasil: a regulação do compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia e operadoras de telecom.

Participaram da conversa: Agnes Maria de Aragão da Costa, diretora da Aneel, Fábio Casotti, gerente de monitoramento e relações entre prestadoras da Anatel, Bruno Cavalcanti, gerente de Regulação e Políticas Públicas da Conexis Brasil Digital, e Marcos Madureira, presidente-executivo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE).

A diretora Agnes Costa enfatizou a importância de preencher as lacunas regulatórias e promover uma interpretação equilibrada do Decreto nº 12.068/2024, que atualiza as diretrizes sobre compartilhamento de infraestrutura de postes entre o setor elétrico e o de telecomunicações, defendendo um modelo que beneficie toda a sociedade.

Bruno Cavalcanti destacou que é preciso olhar para o futuro e não ficar preso a modelos ultrapassados, lembrando que o alinhamento entre os dois setores ainda é um grande desafio.

Já Madureira alertou que a falta de padronização cria desequilíbrios entre os interessados em resolver o problema.

O representante da Anatel, Fábio Casotti, anunciou uma novidade importante: a criação de um regime de coleta para todos os contratos de postes, medida que deve aumentar a transparência e o controle sobre as infraestruturas compartilhadas.

O debate foi encerrado sob aplausos quando Katia defendeu a necessidade de estabelecer um preço-teto inicial e acelerar a revisão das regras.

Análise de mercado de Data Centers

A apresentação de Matheus Cofferri, diretor da Bridgecomm e host do Last Mile Podcast, trouxe uma visão técnica e atualizada sobre o cenário de infraestrutura de data centers no Brasil, destacando as tendências de descentralização, sustentabilidade e integração com redes de alta capacidade.

Data Center 360: desafios e oportunidades

Moderado também por Matheus Cofferri, o painel reuniu Aníbal Diniz, sócio da AD Advisors, Carlos Eduardo Azen, chefe do departamento das Indústrias de TI, Telecom e Economia Criativa do BNDES, Juan Landeira, diretor sênior no Alvarez & Marsal, Victor Proscurcin, CEO da OpenGlobe e Walter Pinheiro, relações corporativas e governamentais do SENAI CIMATEC.

O debate reforçou a urgência de uma política nacional soberana e descentralizada de data centers, essencial para o desenvolvimento tecnológico e a soberania digital do Brasil.

Aníbal Diniz defendeu que os incentivos devem promover o equilíbrio regional, evitando a concentração no eixo Rio–São Paulo.

Carlos Azen, do BNDES, afirmou que o banco já está pronto para financiar projetos de data centers regionais e de pequeno porte, inclusive com apoio via FUST.

Victor Proscurcin destacou que a descentralização também é uma pauta de sustentabilidade, mencionando inovações como o uso de resfriamento líquido e a expansão de servidores de IA pelo país.

O executivo do SENAI CIMATEC, Walter Pinheiro, fez uma intervenção contundente sobre o papel estratégico dos data centers para saúde, telecomunicações, agro e pesquisa científica, propondo um eixo de desenvolvimento entre Juazeiro e Petrolina como exemplo de política de equilíbrio regional.

Juan Landeira completou defendendo a criação de infraestruturas adaptáveis e resilientes, capazes de acompanhar a velocidade da inovação tecnológica.

Nas considerações finais, o grupo foi unânime em destacar a necessidade de uma política pública soberana e competitiva, com estímulos à produção nacional de hardware e software e maior integração entre governo, setor produtivo e entidades de pesquisa.

Futuro da conectividade

O evento foi encerrado com um ciclo de debates estratégicos e propositivos, reafirmando o papel da Associação NEO como ponte entre provedores regionais, governo e entidades reguladoras.

Da regulação de postes à soberania digital, o evento mostrou que o futuro da conectividade brasileira passa por diálogo, inovação e cooperação, pilares fundamentais para o desenvolvimento de um Brasil mais conectado e competitivo.

Compartilhe!